Estudo de O Evangelho Segundo o Espiritismo – Capitulo 2 – A VIDA FUTURA

 

Centro Espírita Anita Borela de Oliveira– 31/01/2018

 Compromisso.

No evangelho de João temos…

  1. Pilatos, tendo entrado de novo no palácio e feito vir Jesus à sua presença, perguntou-lhe: És o rei dos judeus? – Respondeu-lhe Jesus: Meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, a minha gente houvera combatido para impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas, o meu reino ainda não é aqui.

Disse-lhe então Pilatos: És, pois, rei? – Jesus lhe respondeu: Tu o dizes; sou rei; não nasci e não vim a        este mundo senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence à verdade escuta a minha           voz. (S. JOÃO, 18:33, 36 e 37.)

A Vida Futura

Por essas palavras, Jesus claramente se refere à vida futura, que ele apresenta, em todas as circunstâncias, como a meta a que a Humanidade irá ter e como devendo constituir objeto das maiores preocupações do homem na Terra.

Todas as suas máximas se reportam a esse grande princípio.

Com efeito, sem a vida futura, nenhuma razão de ser teria a maior parte dos seus preceitos morais, donde vem que os que não creem na vida futura, imaginando que ele apenas falava na vida presente, não os compreendem, ou os consideram fúteis e infantís.

Kardec alerta que esse dogma da vida futura pode, portanto, ser tido como o eixo do ensino do Cristo, e por este motivo foi colocado num dos primeiros lugares a frente do Evangelho Segundo o Espiritismo.

É que A Vida futura tem de ser o ponto de mira de todos os homens; só ele justifica as anomalias da vida terrena e se mostra de acordo com a justiça de Deus.

Ideias sobre a Vida Futura  –  Os Judeus

Apenas idéias muito imprecisas tinham os judeus acerca da vida futura.

Acreditavam nos anjos, considerando-os seres privilegiados da Criação; não sabiam, porém, que os homens podem um dia tornar-se anjos e partilhar da felicidade destes.

Segundo eles, a observância das leis de Deus era recompensada com os bens terrenos, com a supremacia da nação a que pertenciam, com vitórias sobre os seus inimigos.

As calamidades públicas e as derrotas eram o castigo da desobediência àquelas leis. Moisés não pudera dizer mais do que isso a um povo pastor e ignorante, que precisava ser tocado, antes de tudo, pelas coisas deste mundo.

Mais tarde, Jesus lhe revelou que há outro mundo, onde a justiça de Deus segue o seu curso.

É esse o mundo que ele promete aos que cumprem os mandamentos de Deus e onde os bons acharão sua recompensa. Aí o seu reino; lá é que ele se encontra na sua glória e para onde voltaria quando deixasse a Terra.

Jesus, porém, conformando seu ensino com o estado dos homens de sua época, não julgou conveniente dar-lhes luz completa, percebendo que eles ficariam deslumbrados, visto que não a compreenderiam.

Limitou-se a, de certo modo, apresentar a vida futura apenas como um princípio, como uma lei da Natureza a cuja ação ninguém pode fugir.

Todo cristão, pois, necessariamente crê na vida futura; mas, a idéia que muitos fazem dela é ainda vaga, incompleta e, por isso mesmo, falsa em diversos pontos.

Para grande número de pessoas, não há, a tal respeito, mais do que uma simples crença, falta habitual de certeza absoluta, donde pairam dúvidas e mesmo a incredulidade.

Todo cristão, pois, necessariamente crê na vida futura; mas, a idéia que muitos fazem dela é ainda vaga, incompleta e, por isso mesmo, falsa em diversos pontos.

Para grande número de pessoas, não há, a tal respeito, mais do que uma simples crença, falta habitual de certeza absoluta, donde pairam dúvidas e mesmo a incredulidade.

O Espiritismo e a Vida Futura

O Espiritismo veio completar, nesse ponto, como em vários outros, o ensino do Cristo, fazendo-o quando os homens já se mostram maduros bastante para apreender a verdade.

Com o Espiritismo, a vida futura deixa de ser simples artigo de fé, mera hipótese; torna-se uma realidade material, que os fatos demonstram, porquanto são testemunhas oculares os que a descrevem nas suas fases todas e em todas as suas peripécias, e de tal sorte que, além de impossibilitarem qualquer dúvida a esse propósito, facultam à mais vulgar inteligência a possibilidade de imaginá-la sob seu verdadeiro aspecto.

Com o Espiritismo  a descrição da vida futura é tão circunstancialmente feita, são tão racionais as condições, ditosas ou infortunadas, da existência dos que lá se encontram, quais eles próprios pintam, que cada um, aqui, a seu mau grado, reconhece e declara a si mesmo que não pode ser de outra forma, porquanto, assim sendo, patente fica a verdadeira justiça de Deus.

A idéia clara e precisa que se faça da vida futura proporciona inabalável fé no porvir, fé que acarreta enormes consequências sobre a moralização dos homens, porque muda completamente o ponto de vista sob o qual encaram eles a vida terrena.

Para quem se coloca, pelo pensamento, na vida espiritual, que é indefinida, a vida corpórea se torna simples passagem, breve estada num país ingrato.

As vicissitudes e tribulações dessa vida não passam de incidentes que ele suporta com paciência, por sabê-las de curta duração, devendo seguir-lhes um estado mais ditoso.

À morte nada mais restará de aterrador; deixa de ser a porta que se abre para o nada e torna-se a que dá para a libertação, pela qual entra o exilado numa mansão de bem-aventurança e de paz.

Sabendo temporária e não definitiva a sua estada no lugar onde se encontra, menos atenção presta às preocupações da vida, resultando-lhe daí uma calma de espírito que tira àquela muito do seu amargor.

Pelo simples fato de duvidar da vida futura, o homem dirige todos os seus pensamentos para a vida terrestre. Sem nenhuma certeza quanto ao porvir, dá tudo ao presente. Nenhum bem divisando mais precioso do que os da Terra, torna-se qual a criança que nada mais vê além de seus brinquedos.

E não há o que não faça para conseguir os únicos bens que se lhe afiguram reais. A perda do menor deles lhe ocasiona causticante pesar; um engano, uma decepção, uma ambição insatisfeita, uma injustiça de que seja vítima, o orgulho ou a vaidade feridos são outros tantos tormentos, que lhe transformam a existência numa perene angústia, infligindo-se ele, desse modo, a si próprio, verdadeira tortura de todos os instantes.

Colocando o ponto de vista, de onde considera a vida corpórea, no lugar mesmo em que ele aí se encontra, vastas proporções assume tudo o que o rodeia.

O mal que o atinja, como o bem que toque aos outros, grande importância adquire aos seus olhos.

Àquele que se acha no interior de uma cidade, tudo lhe parece grande: assim os homens que ocupem as altas posições, como os monumentos. Suba ele, porém, a uma montanha, e logo bem pequenos lhe parecerão homens e coisas.

É o que sucede ao que encara a vida terrestre do ponto de vista da vida futura; a Humanidade, tanto quanto as estrelas do firmamento, perde-se na imensidade. Percebe então que grandes e pequenos estão confundidos, como formigas sobre um montículo de terra; que proletários e potentados são da mesma estatura.

Lamenta que essas criaturas efêmeras a tantas canseiras se entreguem para conquistar um lugar que tão pouco as elevará e que por tão pouco tempo conservarão.

Daí se segue que a importância dada aos bens terrenos está sempre em razão inversa da fé na vida futura.

A Vida Futura – Purgatório

O Evangelho não faz nenhuma menção do purgatório, que só foi admitido pela Igreja no ano de 563.

Trata-se inevitavelmente de um dogma mais racional e mais conforme à justiça de Deus que o inferno, pois estabelece penas menos rigorosas e mais aceitáveis para as faltas de mediana gravidade.

A ideia do purgatório funda-se, portanto, no princípio da equidade, pois comparado com a justiça humana equivale à detenção temporária em relação com a pena de condenação.

O que se pensaria de um país que só tivesse a pena de morte para todos os crimes, até os mais simples delitos?

Sem o purgatório só há para as almas as duas alternativas extremas: a felicidade absoluta ou o suplício eterno.

Nesse caso, o que seria das almas culpadas somente de faltas leves?

Ou elas partilhariam a felicidade dos eleitos sem serem perfeitas, ou sofreriam o castigo dos maiores criminosos sem os terem igualado no mal, o que não seria justo nem racional.

Mas a noção do purgatório teria de ser necessariamente incompleta, pois só conhecendo o suplício do fogo procuraram diminui-lo numa idéia atenuada do inferno.

As almas ainda se queimam, mas de maneira menos intensa.

Não conciliável o progresso com o dogma das penas eternas, as almas não podem sair do purgatório através do seu próprio adiantamento, mas sim pela virtude das preces que se fazem ou se mandam fazer em sua intenção.

Se a idéia inicial foi boa, não se deu o mesmo com as suas conseqüências, em razão dos abusos de que ela se tornou fonte. Em virtude das preces pagas o purgatório se transformou numa mina mais produtiva que o inferno.(20)

O lugar do purgatório nunca foi determinado, nem claramente definida a natureza das penas que nele são impostas.

Estava reservado à Nova Revelação preencher esta lacuna ao nos explicar as causas das misérias da vida terrena, que somente o princípio da pluralidade das existências poderia justificar.

Essas misérias são necessariamente resultantes das imperfeições da alma, pois se a alma fosse perfeita não cometeria faltas e não teria de sofrer as suas consequências.

O homem que fosse sóbrio e moderado em tudo, por exemplo, não se tornaria presa das doenças provocadas pelos excessos. Na maioria das vezes ele se torna infeliz neste mundo por sua própria culpa.

Mas ele é imperfeito, já o devia ser antes de vir para a Terra. Aqui ele expia não somente as faltas atuais, mas também as anteriores que não pode antes reparar.

Sofre nesta vida as provas que fez os outros sofrerem numa outra existência. As vicissitudes por que passa são ao mesmo tempo um castigo temporário e uma advertência quanto às imperfeições de que se deve livrar para evitar desgraças futuras e progredir na direção do bem.

Elas são para as almas lições da experiência, às vezes rudes, mas tanto mais aproveitáveis quanto mais profunda a impressão que possam deixar.

Essas vicissitudes proporcionam a oportunidade de lutas incessantes que desenvolvem as suas forças e as suas faculdades morais e intelectuais, fortificando a alma na prática do bem.

Saindo sempre vitoriosa, ela se beneficia se tiver a coragem de enfrentar a prova até o fim.

O prêmio da vitória ela a receberá na vida espiritual, onde entrará radiosa e triunfante como o soldado que sai da refrega e vai receber o seu galardão.

Cada existência representa para a alma a oportunidade de um adiantamento. Depende da sua vontade que esse adiantamento seja o maior possível, permitindo-lhe subir numerosos degraus ou permanecer no mesmo ponto.

Neste último caso ela terá perdido a oportunidade, e como é sempre necessário que cedo ou tarde pague a sua dívida, terá de recomeçar numa nova existência as mesmas lutas em condições mais penosas, porque a uma nódoa que não apagou ela acrescentou outra.

É pois nas encarnações sucessivas que a alma se liberta pouco a pouco das suas imperfeições, que ela se purga, numa palavra, até que se torne bastante pura para merecer libertar-se dos mundos de expiação e ir para os mundos mais felizes, deixando esses mais tarde para gozar da felicidade suprema.

O Purgatório não é, portanto, uma ideia vaga e incerta: é uma realidade material que vemos, tocamos e sofremos.

Ele se encontra nos mundos de expiação e a Terra é um deles.

Os homens expiam nela o seu passado e o seu presente em benefício do seu futuro.

Mas contrariamente à ideia que se faz a respeito, depende de cada um abreviar ou prolongar a sua permanência neste mundo, segundo o grau de adiantamento e depuração a que possa chegar pelo próprio trabalho.

Dela saímos, não por haver completado um certo tempo ou pelos méritos de outros, mas pelo nosso próprio mérito, segundo estas palavras de Cristo: a cada um segundo suas obras, palavras que resumem toda a justiça de Deus.

Aquele que sofre nesta vida pode dizer, portanto, que é por não estar suficientemente depurado e que, se não o fez na existência anterior, terá ainda que sofrer na seguinte. Isto é ao mesmo tempo equitativo e lógico. Sendo o sofrimento inerente à imperfeição, sofre-se por tanto tempo quanto se for imperfeito, como se sofre de uma doença por tanto tempo quanto não se consegue extinguir as suas causas.

É assim que um homem orgulhoso sofrerá as consequências do orgulho, da mesma maneira que um egoísta as do egoísmo.

O purgatório deu origem ao escandaloso comércio das indulgências, com as quais se vendia a entrada no céu. Esse abuso foi a causa primeira da Reforma e foi por causa dele que Lutero rejeitou o purgatório. (N. de Kardec).

— Este caso nos mostra o processo da evolução: o erro da concepção do inferno gerou a ideia do Purgatório, e esta determinou, por sua vez, a reformulação da Teologia cristã e a tentativa de volta ao Cristianismo primitivo, que preparou, com a Reforma protestante, e o caminho ao Espiritismo.

O Espírito culpado sofre primeiramente na vida espiritual em razão dos graus da sua imperfeição; sofre depois na vida corporal que lhe é dada como meio de reparação.

É por isso que ele se reencontra com as pessoas que tenha ofendido, seja em situações semelhantes àquelas em que praticou o mal, seja em situações que representam o seu reverso, como neste exemplo: estar na miséria se foi um mau rico ou numa condição humilhante se foi um orgulhoso.

O fato de haver expiação no mundo espiritual e na Terra não representa um duplo castigo para o Espírito.

É o mesmo castigo que se prolonga na vida terrena, com o fim de facilitar o seu adiantamento através de um trabalho efetivo. Dele depende tirar o proveito.

Não é melhor para ele voltar à Terra com a possibilidade de ganhar o Céu, do que ser condenado sem remissão ao deixá-la?

Esta liberdade que lhe é concedida é uma prova da sabedoria, da bondade e da justiça de Deus, que quer que o homem deva tudo aos seus esforços e seja o artífice do seu futuro. Se ele for infeliz por maior ou menor tempo, não poderá queixar-se senão de si mesmo, pois o caminho do progresso está sempre aberto para ele.

Se considerarmos como é grande o sofrimento de certos Espíritos culpados no mundo invisível, como é terrível a situação de alguns, de que angústias se tornaram presas, quanto essa situação se faz mais penosa pela impossibilidade de lhe verem o fim, poderíamos dizer que isso é para eles o inferno, se essa palavra não implicasse a idéia de um castigo eterno e material.

Graças à revelação dos Espíritos e aos exemplos que eles nos ofereceram, sabemos que a duração da expiação está subordinada ao melhoramento do culpado.

Se considerarmos como é grande o sofrimento de certos Espíritos culpados no mundo invisível, como é terrível a situação de alguns, de que angústias se tornaram presas, quanto essa situação se faz mais penosa pela impossibilidade de lhe verem o fim, poderíamos dizer que isso é para eles o inferno, se essa palavra não implicasse a idéia de um castigo eterno e material.

Graças à revelação dos Espíritos e aos exemplos que eles nos ofereceram, sabemos que a duração da expiação está subordinada ao melhoramento do culpado.

— O Espiritismo não vem, pois, negar a existência das penas futuras, mas pelo contrário constatá-las.

O que ele destrói é a idéia do inferno localizado, com suas fornalhas e suas penas irremissíveis.

Não nega o purgatório, desde que prova que estamos nele.

Define e precisa o purgatório ao explicar a causa das misérias terrenas, e com isso reconduz à crença aqueles que o negavam.

O Espiritismo condena as preces pelos mortos? Bem ao contrário, pois os espíritos sofredores as solicitam. Faz delas um dever de caridade e demonstra a sua eficácia para os conduzir ao bem, abreviando dessa maneira os seus tormentos.(21)

Falando à inteligência, o Espiritismo reconduz os incrédulos à fé, induzindo à prece os que dela se afastavam. Mas ensina que a eficácia das preces depende do pensamento e não das palavras, que as melhores preces são as que partem do coração e não apenas dos lábios, aquelas que são ditas por nós mesmos e não as que mandamos dizer por dinheiro. Quem ousaria reprová-lo por isso?

 

O Espiritismo condena as preces pelos mortos? Bem ao contrário, pois os espíritos sofredores as solicitam. Faz delas um dever de caridade e demonstra a sua eficácia para os conduzir ao bem, abreviando dessa maneira os seus tormentos.(21)

Falando à inteligência, o Espiritismo reconduz os incrédulos à fé, induzindo à prece os que dela se afastavam. Mas ensina que a eficácia das preces depende do pensamento e não das palavras, que as melhores preces são as que partem do coração e não apenas dos lábios, aquelas que são ditas por nós mesmos e não as que mandamos dizer por dinheiro. Quem ousaria reprová-lo por isso?

 

Quer o castigo se verifique na vida espiritual ou na Terra, e qualquer que seja a sua duração, há sempre um termo para ele, mais ou menos longo ou curto.

Não há, na verdade, para o Espírito mais do que estas alternativas: punição temporária e graduada segundo a culpabilidade, ou recompensa graduada segundo o mérito.

O Espiritismo não aceita a terceira, ou seja a da condenação eterna.

O inferno permanece apenas como figura simbólica dos grandes sofrimentos que parecem não ter fim.

O Purgatório é a realidade em que nos encontramos.

A palavra Purgatório exprime a idéia de um lugar circunscrito.

Eis porque se aplica mais naturalmente à Terra, considerada como lugar de expiação, do que ao do espaço infinito em que erram os Espíritos sofredores, e também porque a natureza da expiação terrestre é uma verdadeira purgação.

Quando os homens forem melhores só passarão ao mundo invisível como Espíritos bons, e estes, ao se reencarnarem trarão para a humanidade corpórea somente criaturas aperfeiçoadas.

Então a Terra, deixando de ser um mundo de expiação, os homens não mais sofrerão nela as misérias que são hoje as consequências de suas imperfeições.

É essa a transformação que está em marcha neste momento e que elevará a Terra na hierarquia dos mundos.

Mas por que o Cristo não falou do Purgatório? É que, não existindo a idéia, não havia palavra especial para representá-la.

Ele se serviu da palavra inferno, que estava em uso, como um termo genérico para designar todas as modalidades das penas futuras.

Se ao lado da palavra inferno tivesse criado um termo equivalente a Purgatório, não teria podido precisar-lhe o sentido sem tocar numa questão reservada ao futuro.

Por outro lado, isso seria consagrar a existência de dois lugares especiais de castigo.

O inferno na sua acepção geral, revelando a idéia de punição, implicava também a de Purgatório, que apresenta apenas uma das formas de penalidade.

O futuro, devendo esclarecer os homens sobre a natureza das penas, teria, por isso mesmo, de reduzir o inferno ao seu justo valor.

Kardec propõe a questão relativa ao esclarecimento que o Espírito da Verdade devia trazer para os homens, segundo a promessa evangélica de Jesus, na hora histórica em que estivessem maduros para recebê-lo.

As igrejas cristãs condenaram, como herética a afirmação de Kardec de que o Espiritismo vinha completar o ensino do Cristo.

Kardec lembra, no trecho acima, um dos pontos em que a Igreja o antecipou de vários séculos, fazendo ela mesma um acréscimo no ensino de Jesus.

Mas não repele esse acréscimo, pois reconhece que ele está de acordo com as exigências lógicas da explicação das penas futuras e com a realidade demonstrada pelas comunicações espíritas.

Localizando o Purgatório na Terra, em virtude da natureza expiatória do planeta, Kardec ao mesmo tempo extingue a fonte de rendas das indulgências que provocou a rebelião da Reforma e justifica o protesto de Lutero.

O ESPIRITO DA VERDADE

O espírita encontra na própria fé — o Cristianismo Redivivo — estímulos novos para viver com alegria, pois, com ele, os conceitos fundamentais da existência recebem sopros poderosos de renovação.

A Terra não é prisão de sofrimento eterno.

É escola abençoada das almas.

A felicidade não é miragem do porvir.

É realidade de hoje.

A dor não é forjada por outrem.

É criação do próprio espírito.

O ESPIRITO DA VERDADE

A virtude não é contentamento futuro.

É júbilo que já existe.

A morte não é santificação automática.

É mudança de trabalho e de clima.

O futuro não é surpresa atordoante.

É consequência dos atos presentes.

O bem não é o conforto do próximo, apenas.

É ajuda a nós mesmos.

Deus é Equidade Soberana, não castiga e nem perdoa, mas o ser consciente profere para si as sentenças de absolvição ou culpa ante as Leis Divinas.

Nossa conduta é o processo, nossa consciência o tribunal.

Não nos esqueçamos, portanto, de que, se a Doutrina Espírita dilata o entendimento da vida, amplia a responsabilidade da criatura.

As raízes das grandes provas irrompem do passado — subsolo da nossa existência — e, na estrada da evolução, quem sai de uma vida entra em outra, porque berço e túmulo são, simultaneamente, entradas e saídas em Planos da Vida Eterna.

(Autores diversos — F. C. Xavier / Waldo Vieira)

O PORQUE DA VIDA ?

A imortalidade se assemelha a uma cadeia sem fim e se desenrola para cada um de nós na imensidade dos tempos. Cada existência é um elo que se religa, na frente e atrás, a elos distintos, a vidas diferentes, mas solidárias entre si.

O presente é a consequência do passado e a preparação do futuro. De degrau em degrau, o ser se eleva e cresce.

Artesã de seu próprio destino, a alma humana, livre e responsável, escolhe seu caminho e, se este caminho é mau, as quedas que advirão, as pedras e os espinhos que a dilacerarão, terão o efeito de desenvolver sua experiência e esclarecer sua razão nascente.

(León Denis)

MÊS DE KARDEC – Outubro de 2016

Mensagem de Bezerra de Menezes, através do médium Divaldo Pereira Franco, no encerramento do 8º Congresso Espírita Mundial, na MEO Arena Lisboa em Portugal, no dia 09 de outubro de 2016.

“Devemos converter-nos em chamas vivas para que nunca mais haja escuridão na Terra. É necessário que o nosso amor se transforme em esperança e alegria. Há tanta dor esperando por nós, tantas lágrimas a enxugar, tanto sofrimento que temos vergonha de ser felizes. Espíritas! Meus filhos! Transformai as lições profundas da Codificação Espírita numa diretriz de segurança para encontrardes a plenitude. Nós, aqueles que atravessamos o portal de cinza e de lama de que constitui o corpo, voltamos para dizer-vos: – amai a vida em todas as suas expressões. Porfiai no berne crede, Cristo vive, a morte é nada mais do que a transformação de moléculas que voltam à química original do subsolo para novas conjugações atômicas. O amor, à luz da caridade é o maior tesouro que podemos carregar. Onde estejais, que brilhe a luz do Senhor e que todos saibam que sois irmãos uns dos outros, diferindo a verbalização idiomática, o nascimento no solo, o endereço, mas numa só pátria, a pátria da fraternidade.

Uni-vos, porque unidos no amor sois uma força indestrutível, mas separados, sereis vencidos pelas próprias paixões. E procure levar, sem temor, a mensagem de vida eterna. Não tendes mais as arenas, nem as cruzes, nem os empalamentos, nem as fogueiras, mas tendes as paixões internas a vencer. Os Espíritos Espíritas nesse Congresso, em nome Leon Denis, que patrocina o evento mundial, por intermédio deste servidor, suplica a Deus que a todos nós abençoe e nos guarde em muita paz.

O Servidor humílimo e paternal de sempre,  Bezerra de Menezes”.

™A Parábola do Semeador

™A parábola do Semeador

™Capítulo XVII – E.S.E.

™Estudo Espírita –  C.E. Paz União e Fraternidade – 24-11-2015 – ™João Lima

™AS PARÁBOLAS E A SUA INTERPRETAÇÃO

™Na acepção geral do termo, parábola é uma narrativa que tem por fim transmitir verdades indispensáveis de serem compreendidas.

™As 32 Parábolas dos Evangelhos são alegorias que contêm preceitos de moral. O emprego contínuo, que durante o seu ministério Jesus fez das parábolas, tinha por fim esclarecer melhor seus ensinos, mediante comparações do que pretendia dizer com o que ocorre na vida comum e com os interesses terrenos. Sugeria, assim, o Mestre, figuras e quadros das ocorrências cotidianas, para facilitar mais aos seus discípulos, por esse método comparativo, a compreensão das coisas espirituais. (C. Shuttel).

™™A parábola do semeador

™O objetivo deste estudo é buscar a essência de cada uma das sementes, narradas pelo evangelista, no sentido de verificar em que grau está a nossa semeadura.

™É muito importante compreender ao estudarmos esta parábola, que JESUS durante a sua missão na terra, circulava pela Galiléia entre camponeses poetas. Camponeses que viviam da agricultura fazendo seu trabalho árduo e diário junto a terra mas que também não deixavam de ter uma profunda sensibilidade religiosa cultivada nas sinagogas, no templo de Jerusalém, ouvindo as histórias, as máximas morais extraídas do antigo testamento.

™Eram então pessoas que circulavam entre o altar da natureza e adoração a Deus e o trabalho diário repleto de esperança de muito esforço e de muito sacrifício. E para se entender esta parábola é necessário aqui resgatar sobre uma característica essencial da agricultura na Galileia de 2000 anos atrás. O terreno não era preparado antes de ser lançada a semente. Pelo contrario, depois da colheita, depois que aterra foi pisoteada depois que animais circulavam no campo que toda sorte de espinhos, ervas daninhas, pedras, pedregulhos, estavam sobre o terreno, o lavrador lançava a semente e vinha então com um animal que puxava uma espécie de arado e aí então o arado sulcava a terra deixando-a preparada para o crescimento da semente que já havia sido lançada.

™Na agricultura de hoje sabemos que o lavrador prepara antes o terreno, arando adubando, corrigindo o PH da terra, para somente depois lançar a semente.

™Nesta parábola encontramos um semeador que sai a semear, e porque a terra não foi antes preparada, de acordo com a cultura da época, essa semente cai na beira do caminho, que é o caminho por onde passavam os lavradores no momento anterior, quando houve colheita, cai também sobre espinheiros, e cai sobre pedregulhos que eram lançadas no processo da colheita anterior, o que mostra que a semeadura era irrestrita e o trabalho da terra é feito somente depois que a semente foi lançada pelo semeador.

 

™Então vale a pena lermos detalhes desta parábola, sem a pretensão de esgotarmos nestes breves minutos a sua analise espiritual.

™Vamos então á parábola, como transcrita do Evangelho Segundo o Espiritismo:

™Naquele dia, saindo Jesus de casa, assentou-se à borda do mar. E vieram para ele muita gente, de tal sorte que, entrando em uma barca, se assentou, ficando  toda a gente de pé na ribeira; e lhes falou muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis aí que saiu o que semeia a semear. E quando semeava, uma parte das sementes caiu junto da estrada, e vieram às aves do céu, e comeram-na. Outra, porém, caiu em pedregulho, onde não tinha muita terra, e logo nasceu, porque não tinha altura de terra. Mas saindo o sol se queimou, e porque não tinha raiz, se secou. Outra igualmente caiu sobre os espinhos, e crescendo os espinhos, a afogaram. Outra enfim caiu em boa terra, e dava fruto, havendo grãos que rendiam a cento por um, outros a sessenta, outros a trinta. O que tem ouvidos de ouvir, ouça. (Mateus, XIII: 1-9)

™A Parábola do Semeador sintetiza os caracteres predominantes em todas as almas. Compara a providencia divina ou a ação orientadora de Deus a um semeador.

™™A semente é a palavra de Deus, lançada indistintamente. Os conselhos espirituais, as revelações são dadas a todos os filhos de Deus. Sem nenhum preconceito e de forma irrestrita.

™™Mas cada qual vai receber estas sementes, de acordo com a qualidade da sua “terra íntima”.

™™A Palavra de Deus, a “semente”, é uma só, em todos os tempos e lugares.

™™A sua absorção e aplicação, depende da variedade e da desigualdade dos Espíritos que povoam a Terra.

™E podemos dizer mais, cada um de nós ira produzir de acordo com as potencialidades do seu próprio espírito.

™Lembremos que a Deus incumbe de dar nos o Sol, dar a chuva, os nutrientes, corrigir o crescimento, elementos que estão implícitos nesta parábola.

™Jesus compara a sua ação de anúncio do reino de Deus, de anúncio da mensagem libertadora do Evangelho, a atividade de um semeador o que é muito bonito pois tocava o coração dos camponeses que o ouviam e nos leva a uma reflexão muito profunda de que a atividade do evangelho tem muito a ver com as virtudes necessárias para um agricultor, entre elas a fé e a confiança no mais alto. E de que teremos uma boa colheita se sob seus preceitos trabalharmos.

™A nossa casa mental:

™A nossa casa mental pode ser dividida em 3 partes:

™Subconsciente: residência de nossos impulsos automáticos, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados – hábitos e automatismos; é a mente não racional.

™™Consciente: “domínio das conquistas atuais”, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando – esforço e vontade; é a mente racional.

™™Superconsciente: “casa das noções superiores”, indicando as eminências que nos cumpre atingir – ideal e meta superiores, aspirações máximas do espírito.

™A semente atirada ao longo do caminho

™A parte da semente jogada ao pé do caminho, que é comida pelas aves, representa a Palavra do Plano Maior recebida, sem que nos modifique, ou sem que nos desperte a ação.

™A semente que cai nas pedras e nos espinheiros.

™O pedregal e o espinheiro representam a pouca base de nosso vaso interior para a assimilação da palavra divina.

™™Esta parte da semente está relacionada com a questão de ser religioso e ter uma religião.

™™Ter uma religião é seguir o que o pastor diz, o que o padre prega e o que os tribunos falam. Ser religioso é modificar-se interiormente e agir exteriormente de acordo com os preceitos do Evangelho.

™A semente que cai em terreno fértil

™A semente que cai em terreno fértil diz respeito àquela palavra que, em nos encontrando atentos e receptivos, se assenta em fundamentos que nos são próprios, sólidos e bem estruturados.

™™A semente que cai em terreno fértil pode, também, ser comparada à expansão do nosso “eu”, ou seja, quanto mais pessoas comungam com os nossos ideais do bem, tanto mais a semente cresce em fortaleza.

™A semente e o SER Espírita

™Encontra respaldo nas diversas categorias de Espíritas

™1) Naqueles que se apegam aos fenômenos materiais, e deles não tiram nenhuma consequência.

™2) Naqueles que não procuram senão o brilho das comunicações dos Espíritos.

™3) Naqueles que acham os conselhos muito bons e os admiram, mas deles fazem aplicação nos outros e não em si mesmos.

™4) Naqueles para quem essas instruções são como a semente caída na boa terra e produzem frutos.

™Conclusão

™Os ensinamentos contidos nesta parábola faz-nos refletir sobre a função primordial de cada um de nós no esclarecimento, trabalho continuado, enfim, na caridade em relação ao nosso irmão.

™™Assim, ao clarearmos o campo mental daqueles que nos ouvem, estaremos plantando em terra boa, e a palavra divina produzirá a cento por um.

™
Bibliografia

™KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., Brasília, FEB.

™SCHUTEL, C. Parábolas e Ensinos de Jesus. 11. ed., São Paulo, O Clarim, 1979.

™XAVIER, F. C. No Mundo Maior, pelo Espírito André Luiz. 7. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.

™DIAS, D. Haroldo O Novo Testamento, 1ª Edição – Brasília, FEB, 2013.

™GREGORIO, B. Sérgio – A parábola do Semeador.

™DIAS, D. Haroldo – TV CEI – Perolas do Evangelho

™

™

A FÉ PELAS OBRAS E A CONDUTA ESPÍRITA

O Evangelho Segundo o Espiritismo – CAP XVIII – Item 16 das instruções dos Espíritos – II – Reconhece-se O Cristão pelas suas Obras.

 

Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.“

(Tiago 2:17, 18)

INTRODUÇÃO

16 – “Nem todos os que me dizem Senhor, Senhor, entrarão no Reino dos Céus, mas somente o que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus”.

Escutai estas palavras do mestre, todos vós que repelis a doutrina espírita como obra do demônio!

Abri os vossos ouvidos, pois chegou o momento de ouvir! Será suficiente trazer a libré do Senhor, para ser um fiel servidor? Será bastante dizer:“ Sou cristão ”, para seguir o Cristo?

Procurai os verdadeiros cristãos e os reconhecereis pelas suas obras. “Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má dar bons frutos”. – “Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada no fogo”. – Eis as palavras do Mestre. Discípulos do Cristo, compreendei-as bem! (SIMEÃO, Bordeux 1863)

O Espiritismo ensina que se reconhece o verdadeiro cristão pelas suas obras (ESE, Cap.18, Item 16). Não adianta adorar e idolatrar a figura de Jesus: É necessário vivenciar a mensagem da qual ele foi portador e exemplificador.

O próprio nazareno elucida: “E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?“ (Lucas 6:46). Com estas palavras, dirigidas aos hipócritas e adoradores comodistas, ele evidenciou a necessidade de vivenciar o evangelho sem as amarras da idolatria pueril.

Reflitamos

O Evangelho de Jesus – A árvore da Vida

Quais os frutos que a árvore do Cristianismo deve dar, árvore possante, cujos ramos frondosos cobrem com a sua sombra uma parte do mundo, mas ainda não abrigaram a todos os que devem reunir-se em seu redor?

Os frutos da árvore da vida são frutos de vida, de esperança e fé.

O Cristianismo, como o vem fazendo desde muitos séculos, prega sempre essas divinas virtudes, procurando distribuir os seus frutos.

Mas quão poucos os colhem!

Você tem fé? Você acredita no poder da mente? Você sabe o que é a fé, mas talvez não tenha um conceito muito bem definido. Para poupar trabalho, eu fico com a definição do Mestre, que nos ensina que a fé é crer firmemente na realização da Sua palavra. Mas a fé precisa de obras.

O engraçado é que as coisas mais simples podem se tornar as mais complicadas. Somos céticos por natureza, nos confundimos com a matéria, esquecidos de nossa realidade de espírito imortal.

Continua Simeão….

“A árvore é sempre boa, mas os jardineiros são maus. Quiseram moldá-la segundo as suas idéias, modelá-la de acordo com as suas conveniências. Para isso a cortaram, diminuíram, mutilaram. Seus ramos estéreis já não produzem maus frutos, pois nada mais produzem. O viajor sedento que se acolhe à sua sombra, procurando o fruto de esperança, que lhe deve dar força e coragem, encontra apenas os ramos secos e queimados, pressagiando mau tempo. É em vão que busca o fruto da vida na árvore da vida: as folhas tombam secas aos pés. A mãos do homem tanto as trabalharam, que acabaram por queima-las!”

Tudo o que é criado existe antes em pensamento.

Emmanuel, no prefácio do livro SINAL VERDE de André Luiz, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, nós dá uma brilhante explicação sobre o pensamento e suas relações:

 “Não desconhecemos que todos respiramos num oceano de ondas mentais, com o impositivo de ajustá-las em benefício próprio. Vasto mar de vibrações permutadas. Emitimos forças e recebemo-las, o pensamento vige na base desse inevitável sistema de trocas”

Moldagem da Arvore

Um edifício, um bolo, o computador, você.

Tudo. O nosso pensamento contém o Poder Criador de Deus.

Uma parte deste poder criador é exercido através da palavra.

Você alguma vez disse algo que magoou outra pessoa? É bem possível que sim, isto é da imperfeição humana.

Você se arrependeu depois? Se pudesse, apagava as palavras que disse? Mas as palavras não se apagam. As palavras fluem…..

Então o que é o pensamento ?

O pensamento é uma manifestação do espírito, que, para tanto, utiliza‐se de seu livre‐arbítrio. Quando o emitimos, ele se materializa e ganha o espaço, por intermédio do fluido cósmico em que estamos mergulhados.

Uma vez exteriorizado por esse fluido, pode ser recepcionado por outro Espírito, encarnado ou desencarnado. Porém, os desencarnados têm maior facilidade de captá‐lo, devido ao fato de sua capacidade perceptiva não se encontrar embaraçada pela matéria densa.

As Beatices

A beatice é comum dentro das igrejas cristãs, contudo, notamos a infiltração desta atitude em alguns setores espíritas, indo de encontro aos postulados doutrinários. Há indivíduos que se tornam adeptos do Espiritismo, mas, infelizmente, não conseguem se desassociar totalmente dos conceitos teológicos medievais. Na realidade, a “principal causa da deturpação e desvio das grandes ideias filosóficas e concepções religiosas é que os homens, não se esforçando o suficiente para compreendê-las, passam a adaptá-las ao seu modo de ser e de agir. Não conseguindo mudar a si mesmos, empreendem pelos seus pontos de vista a mudança dos princípios que não conseguiram assimilar.” (Nova História do Espiritismo – Dalmo Duque)

Adorações

É natural que os Espíritos de escol exerçam sobre nós, seres ainda imperfeitos, um “ascendente moral irresistível” (L.E, Q.274), mas o desejo deles é de nos auxiliar na conquista do nosso progresso intelecto-moral, e não serem levianamente adorados como mitos.

A Caridade como base de nossas obras.

Ao escrever em seu frontispício o lema “Fora da caridade não há salvação”, a doutrina espírita restaura a moral cristã em sua expressão mais pura. Não existem mais dogmas, rituais, cerimônias, sacerdócio, imagens, ou qualquer ação que evidencie a pratica do culto exterior e do formalismo institucional.

Verificamos na questão 886 de O Livro dos Espíritos qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como entendia o próprio Jesus: “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”

Conforme observamos, o sentido da palavra caridade, empregada pelo Espiritismo, é bastante amplo e não se limita a assistência social, como alguns falsamente interpretam. Os dogmas, que foram se infiltrando nos ensinamentos evangélicos, abafaram essa grande máxima do Cristianismo nascente. Aos poucos os cristãos foram abandonando a essência do evangelho, trocando-o pelo culto exterior que nada exige do homem a não ser a hipocrisia dos fariseus.

Ocorre que, entre os cristãos protestantes e católicos, há um predomínio da teologia paulina da justificação pela fé, que, segundo as palavras de Paulo de Tarso, a “salvação” (salvar-se de que?) viria pela fé e não pelas obras. De acordo com dados históricos, Tiago, o irmão de Jesus, foi o verdadeiro coordenador do Cristianismo nascente, sendo a sua epístola uma verdadeira contestação para com a doutrina da justificação pela fé ensinada pelo apóstolo dos Gentios.

Todavia, defende Hermínio Corrêa de Miranda que o apóstolo Paulo “não prega a fé sem obras, como entendem muitos de seus intérpretes até hoje; ele não faz outra coisa senão ensinar que a fé, a nova concepção do relacionamento do homem com Deus, dispensa a ritualista da lei antiga, consubstanciada no velho testamento e na tradição” e que “jamais encontrou apoio no pensamento de Paulo de que a fé passiva e sem obras levar-nos-ia à salvação.” (As marcas do Cristo – Paulo, o apóstolo dos Gentios). Por sua vez, Severino Celestino aduz que “não podemos esquecer é que Paulo não é Jesus. Sua mensagem foi dirigida aos Gentios ou pagãos e ele facilitou muita coisa para conquistar aqueles a que dirigiu sua mensagem, em nome de Jesus.” (O evangelho e o Cristianismo primitivo)

Tal pensamento faz sentido, bastaríamos citar o capítulo 13 da primeira epístola de Paulo aos Coríntios [Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse amor, seria como um bronze que soa ou um sino que tilinte. Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de remover montanhas, mas não tivesse amor, nada seria. Se eu gastasse todos os meus bens no sustento dos pobres e até me fizesse escravo, para me gloriar, mas não tivesse amor, de nada me aproveitaria.] considerada um verdadeiro hino à caridade. Outras passagens também evidenciam que Paulo não pregava a fé sem as obras: 2 Coríntios 5:10, 2 Timóteo 4:14, 1 Coríntios 3:8, entre outras.

Não sabemos se a intenção de Paulo de Tarso era pregar a salvação gratuita ou se os teólogos interpretaram mal as suas palavras, entretanto, são nas suas epístolas que a igreja de roma se fundamenta para defender o dogma do salvacionismo gratuito, donde podemos dizer que há mais paulinos do que cristãos dentro das igrejas.

Nas palavras de Jesus o salvacionismo jamais encontrou respaldo.

Ele coloca como regra áurea a Lei do amor (Mateus 22: 36-39). A síntese do evangelho está toda contida no Sermão da Montanha, nele encontramos toda pureza de uma verdadeira moral universal, a exortação é sempre em prol da benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros e o perdão das ofensas. Para Huberto Rohden “o Sermão da Montanha é a alma do evangelho”. O que também levou Gandhi a dizer: “Se por acaso se perdesse todos os livros sagrados do mundo e restasse apenas o Sermão da Montanha, nada estaria perdido”.

Numa de suas belíssimas parábolas, com conteúdo extremamente significativo, “Jesus coloca o samaritano, considerado herético, mas que pratica o amor do próximo, acima do ortodoxo que falta com a caridade. Não considera, portanto, a caridade apenas como uma das condições para a salvação, mas como a condição única. Se outras houvesse a serem preenchidas, ele as teria declinado. Desde que coloca a caridade em primeiro lugar, é que ela implicitamente abrange todas as outras: a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc.” (ESE, Cap.15, Item 3)

Sobre os modos herdados….

Renasce a essência da moral universal cristã com o advento do Espiritismo. Semelhante ao apóstolo Tiago, também afirma: “assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.” (Tiago 2, 26) Esta é a verdade que devemos resguardar.

Cultivar os atavismos religiosos dentro do movimento espírita é inadmissível.

E continua Simeão:

Abri, pois, vossos ouvidos e vossos corações, meus bem amados! Cultivai esta árvore da vida, cujos frutos proporcionam a vida eterna. Aquele que a plantou vos convida a cuidá-la com amor, que ainda a vereis dar com abundância os seus frutos divinos. Deixai-a assim como o Cristo vo-la deu: não a mutileis. Sua sombra imensa quer estender-se por todo o universo; não lhe corte a ramagem. Seus frutos generosos caem em abundância, para alentar o viajor cansado, que deseja chegar ao seu destino. Não os amontoeis, para guardá-los e deixá-los apodrecer, sem servirem a ninguém. “São muitos os chamados e poucos os escolhidos”. É que há os açambarcadores do pão da vida, como os há do pão material. Não vos coloqueis entre eles; a árvore que dá bons frutos deve distribuí-los para todos. .

Conduta Espírita

Ide, pois, procurar os necessitados; conduzi-os sob as ramagens da árvore e partilhai com eles o abrigo que ela vos oferece.

“Não se colhem uvas dos espinheiros”.

Meus irmãos afastem-vos, pois, dos que vos chamam para apontar os tropeços do caminho, e segui os que vos conduzem à sombra da árvore da vida.

Não podemos permitir que, em nome de uma tolerância irresponsável, deixar desnaturar a mensagem do Espiritismo, silenciar ante as deturpações é o mesmo que compactuar com o erro.

“Não há mais lugar para comodismos, compadrismos, tolerâncias criminosas no meio espírita. Cada um será responsável pelas ervas daninhas que deixar crescer ao seu redor.

É essa a maneira mais eficaz de se combater o Espiritismo na atualidade: cruzar os braços, sorrir amarelo, concordar para não contrariar, porque, nesse caso, o combate à doutrina não vem de fora, mas de dentro do movimento doutrinário.” (J. Herculano Pires – Curso Dinâmico de Espiritismo.)

Conclusão

O indivíduo que busca vivenciar o evangelho não é (ou não deveria ser) um beato piegas, mas apenas um homem que luta para conquistar sua transformação moral e dominar suas más inclinações (ESE, Cap. 17, Item 4).

A moral cristã não visa criar condutas artificiais, convida-nos, conforme afirmou J. Herculano Pires, a “evoluir, não por fora, mas por dentro”

Assim Simeão termina sua mensagem…

O divino Salvador, o justo por excelência, disse, e suas palavras não passarão: “Os que me dizem Senhor, Senhor, nem todos entrarão no Reino dos Céus, mas somente aqueles que fazem a vontade de meu Pai, que está nos Céus”. Que o Senhor das bênçãos vos abençoe, que o Deus da luz vos ilumine; que a árvore da vida (O Evangelho redivivo) vos faça com abundância a oferenda dos seus frutos! Credes e orai!

Reflexão: Em uma Época de transição planetária, tão amplamente discutida no meio Espírita, tornam-se necessárias as inúmeras comunicações dos Prepostos do Cristo, chamando-nos a Oração e a Vigilância. São palavras de Manoel Philomeno de Miranda, através das confiáveis mãos de Divaldo Franco, no Livro ‘Trilhas da Libertação’, e também em ‘Amanhecer de uma Nova Era’, que nos alerta para as “armas” que os ainda Inimigos do Cristo iriam se utilizar a fim de tentar promover a falência do projeto de resgate da humanidade promovido por Jesus com a participação de seus companheiros que viriam de todas as partes (Livro Boa Nova, capítulo 3). Entre estas, estaria a ideia de criar dissenção e divisão por questões doutrinárias. Dividir e não unificar, aguçar trevas e não exaltar a luz, trazer ensinos passageiros em vez da mensagem renovadora do Evangelho de Jesus… tomar tempo desviando o olhar para os valores mais importantes do ensino do Cristo… Emmanuel nos diz no Livro Estude e Viva, no capítulo 40, que a maior caridade que podemos fazer pela Doutrina é sua própria divulgação. É preciso divulgar de forma acertada os ensinos evangélicos redivivos, sem permitir quaisquer infiltrações de conceitos que choquem com as verdades das obras básicas, sob pena de estarmos semeando sombras com aparência de luzes, e conduzindo muitos aos caminhos do conformismo, da desesperança e da insegurança, angariando para nós mesmos consequência inevitável de dor, quando a proposta maior é de exaltar Jesus e seus ensinos, hoje tão claro e racional, trazido pelo Espiritismo.

Bibliografia:

Ricardo Malta – http://oblogdosespiritas.blogspot.com.br – A Fé Pelas Obras e a Conduta Espírita

Dalmo Duque – Nova História do Espiritismo

Allan Kardec – O Evangelho Segundo O Espiritismo.

J Herculano Pires – Curso Dinâmico de Espiritismo

Herminio C. Miranda – As marcas do Cristo – Paulo, o apóstolo dos Gentios. (Vol 1)

O Novo Testamento – Tradução de Haroldo Dutra Dias

Hélio Tinoco – http://www.redeamigoespirita.com.br/ – Pureza Doutrinária

Severino Celestino – O evangelho e o Cristianismo primitivo

Divaldo P. Franco – Transição Planetária / Trilhas da Libertação

Francisco C. Xavier – Boa Nova / Estude e Viva / Sinal Verde

Médium e Obsessão

Médium e Obsessão – Estudo Espírita

¨“Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos (escravos) da corrupção (perversão, devassidão, deterioração). Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo.

¨Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes neste último estado pior do que no primeiro.

¨Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado;

¨Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio golfo, e a porca lavada ao espojadouro de lama.”

Pedro (2 Pedro, 2:19-22)

¨

INTRODUÇÃO

¨Na época atual vemos confirmada, cada vez mais, a assertiva de Allan Kardec de que a ação dos Espíritos malfazejos constitui um dos flagelos que assolam a Humanidade.

¨Vejamos como o Codificador apresenta a questão, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:

   “Os Espíritos maus pululam em torno da Terra, em virtude da inferioridade moral dos seus habitantes. A ação malfazeja que eles desenvolvem faz parte dos flagelos com que a Humanidade se vê a braços neste mundo. A obsessão, como as enfermidades e todas as tribulações da vida deve ser considerada prova ou expiação e como tal aceita“ (Cap. XXVIII, it. 81)

 

CONCEITO

OBSESSÃO: “Perseguição / Impertinência / Ideia fixa / Mania de perseguição / Constância de Perseguição.”

(Dicionário Aurélio)

¨Em se tratando de Doutrina Espírita, o termo obsessão tem conotação mais profunda, difere portanto do significado vulgarmente adotado, pois neste último caso denota uma ideia fixa, que gera um estado mental doentio; patológico, geralmente presente nas neuroses, fobias, estados psicóticos, etc.

 

¨Allan Kardec definindo a obsessão diz:

     “A obsessão é a ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diversos desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais.”

(O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVIII, it81)

Mais algumas anotações de Kardec

¨Em “O Livro dos Médiuns”, o mestre lionês esclarece que a obsessão é “o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas. Nunca é praticada senão pelos Espíritos inferiores, que procuram dominar.” – e acrescenta que “os bons Espíritos nenhum constrangimento infligem.”

(Cap. XXIII, it.237)

¨Kardec adverte ainda que em grande parte dos estados mentais patológicos a obsessão está presente, seja provocando ou intensificando os distúrbios psicológicos.

Obsessão

¨A obsessão apresenta característica diversas que precisamos distinguir com precisão, resultantes do grau do constrangimento e da natureza dos efeitos que este produz.

¨A palavra obsessão é portanto um termo genérico pelo qual se designa o conjunto desses fenômenos, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.

¨CAUSAS DA OBSESSÃO

¨A obsessão é sempre resultado da imperfeição moral dos seres humanos.

¨Em síntese, são 5 as suas causas:

1 – vingança – exercida por um Espírito que foi lesado nesta existência ou em vidas passadas.

2 – desejo de fazer o mal – o Espírito por estar sofrendo, entende de fazer sofrer os outros
sentindo prazer em atormentá-los.

3 – ódio e inveja do bem – não existe vínculos do passado. Quando o Espírito age movido pela
inveja: o bem-estar ou a honestidade de certas pessoas o incomoda. Nestes casos a pessoa
visada, embora sendo honesta nesta encarnação, traz “matrizes” espirituais decorrentes de
débitos anteriores o que a torna receptiva às influências negativas.

4 – fraqueza moral de certos indivíduos – o que induz o Espírito a atormentá-los, pois sabe que são incapazes de lhe resistir.

5 – por orgulho do falso saber – são Espíritos obsessores que agem sem o cunho da maldade. Têm ideias próprias, sistemas pessoais sobre ciência, moral, religião, etc. e agem na intenção de fazer com que essas teorias prevaleçam. Aproximam-se de médiuns crédulos, geralmente
sem estudo e conhecimento doutrinário fascinando-os com a ilusão de que jamais erram, que estão com a verdade e, para maior ascendência, adotam nomes falsos, preferencialmente os de vultos respeitáveis. Não recuam sequer (diz Kardec) “ante o sacrilégio de se dizerem Jesus, a Virgem Maria, ou um santo venerado.”

(O Livro dos Médiuns, cap. XXIII, itens 245 e 246)

¨* ALERTA PARA OS MÉDIUNS !!!

GRADAÇÕES DAS OBSESSÕES

¨Dependendo do grau do constrangimento que o obsessor exerce sobre a sua vítima e dos efeitos que esta ação produz, pode-se classificar os processos obsessivos em três principais variedades:

Obsessão simples

Fascinação

e Subjugação

¨

OBSESSÃO SIMPLES

¨Consiste na interferência de Espíritos malévolos, que agem de forma sutil, com pensamentos depressivos de teor negativo lançados na mente da vítima, que ao sintonizar com tais ideias se faz receptivo, acolhendo-as e dando-lhes espaço mental suficiente para que se transformem, com o tempo, em hábitos mentais viciosos.

¨Tais pensamentos se expressam em ideias deprimentes, pessimistas ou trazem o cunho
do rancor/mágoa, irritação, angústia, medo, ansiedade, insegurança, inveja, ciúme, egoísmo,
vícios, etc.

OBSESSÃO SIMPLES

¨Em relação aos médiuns a ação se faz através da própria prática medíúnica, que desenvolvem, pois o Espírito obsessor passa a interferir contra a vontade do médium nas comunicações que estes recebem, impedindo-os de sintonizar com os outros Espíritos.

¨Esses assédios obsessivos, sem afetarem propriamente a razão, expressam-se através de mudanças de temperamento/conduta e ânimo dos indivíduos.

Não se está obsedado pelos simples fato de ser enganado por um Espírito mentiroso, pois o melhor médium está sujeito a isso, sobretudo no início, quando ainda lhe falta a experiência necessária, como entre nós as pessoas mais honestas podem ser enganadas por trapaceiros. Pode-se, pois, ser enganado sem estar obsedado. A obsessão consiste na tenacidade de um Espírito do qual não se consegue desembaraçar.

Na obsessão simples o médium sabe perfeitamente que está lidando com um Espírito mistificador, que não se disfarça e nem mesmo dissimula de maneira alguma as suas más intenções e o seu desejo de contrariar. O médium reconhece facilmente a mistificação, e como se mantém vigilante raramente é enganado. Assim, esta forma de obsessão é apenas desagradável e só tem o inconveniente de dificultar as comunicações com os Espíritos sérios ou com os de nossa afeição.

¨Manoel Philomeno de Miranda, em seu livro “Nas Fronteiras da Loucura” analisando as obsessões esclarece:

   “A obsessão simples é parasitose comum em quase todas as criaturas, em se considerando o natural intercurso psíquico vigente em todas as partes do Universo.”

(Cap. Análise das Obsessões)

 

FASCINAÇÃO

¨“É uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio, relativamente às comunicações. O médium fascinado não acredita que o estejam enganando: o Espírito tem a arte de lhe inspirar confiança cega, o que o impede de ver o embuste e de compreender o absurdo do que escreve, ainda quando esse absurdo salte aos olhos de toda gente.”

(O Livro dos Médiuns, questão 239)

¨O individuo fascinado se julga o “dono da verdade” e tudo faz para divulgar suas ideias, em geral esdrúxulas, sem lógica, fantasiosas mas que julgam serem belas, coerentes e autênticas. A pessoa perde a noção do ridículo e do discernimento.

¨Os espíritos malfazejos insuflam orgulho de missões especiais ao indivíduo .

 

¨As pessoas fascinadas também exercem fascínio sobre outras criaturas que vibram na mesma faixa e se entusiasmam pelas teorias que veiculam, com a mesma cega impressão de que tudo está muito certo, de que só elas são detentoras da verdade, que são enviados de Deus, ETS e muitas outras formas de fascinação.

¨Isto ocorre porque os Espíritos fascinadores agem de maneira a exercerem coletivamente a sua atuação.

¨A história registra muitos casos de fascinação coletiva, como por exemplo: Hitler e o nazismo, com suas ideias de seleção das raças, de domínio; Jin Jones (nas Guianias) que induziu dezenas de pessoas ao suicídio, etc.

 

¨No tocante a nós espíritas, os Espíritos que promovem os processos de fascinação quase sempre o fazem com intenções malévolas de causar prejuízos ao médium, de confundir de perturbar as instituições, de enfraquecer e provocar a desunião em nossas fileiras.Neste caso, a ascendência que exercem encontra as necessárias brechas na invigilância, na falta de estudo, de humildade, de se cultivar o hábito da prece, enfim, em todos os nossos pontos vulneráveis.

¨Deve-se levar em conta que os Espíritos fascinadores, conforme Kardec alerta, são ardilosos e profundamente hipócritas.

 

SUBJUGAÇÃO

¨Na subjugação o domínio do Espírito obsessor é de tal ordem que impede àquele que está sendo visado de agir por vontade própria.

¨O Codificador esclarece:

“A subjugação é uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir a seu mau grado. Numa palavra: o paciente fica sob um verdadeiro jugo.”

(O Livro dos Médiuns, it.240)

¨A subjugação pode ser física, psíquica e simultaneamente fisio-psíquica

¨FÍSICA: Dá-se sobre os centros motores e obriga o individuo a ceder sob violencia opressora. Abre as portas tambem para várias enfermidades orgânicas.

¨PSÍQUICA: A pessoa tomba sob tortura emocional chegando a perder por completo a lucidez. O Espírito encarnado perde temporaria ou definitivamente a consciencia na atual reencarnação, não podendo se expressar livremente.

   “Um contínuo aturdimento o tonta. A visão, a audição como os demais sentidos confundem a realidade ohjetiva ao império das vibrações e faixas que registra desordenadamente na esfera física e na espiritual.

     O Espírito encarnado movimenta-se num labirinto que o atemoriza, algemado a um adversário que llte é impenitente, maltratando-o, aterrando-o com ameaças cruéis, em parasitose firme na desconsertada casa mental.

     Por fim, assenhoreia-se, simultaneamente, dos centros do comando motor e domina fisicamente a vítima, que lhe fica inerte, subjugada, cometendo atrocidades sem nome”.

(Philomeno, de M. Manoel – Nas Fronteiras da Loucura – Cap. Análise das obsessões)

¨

TIPOS DE OBSESSÃO

” (…) Existem problemas obsessivos, em várias expressões como os de um encarnado sobre outro; de um desencarnado sobre outro; de um encarnado sobre um desencarnado e, de forma geral, deste sobre aquele.”

(Sementes de Vida Eterna, cap. XXX)

Além dos tipos acima citados encontramos também na literatura os tipos: obsessão recíproca e a Auto-obsessão.

(Obsessão / Desobsessão)

 

De encarnado para encarnado

¨Domínio mental que se estabelece de um encarnado sobre outro.

“Este domínio mascara-se com os nomes de ciúme, inveja, paixão, desejo de poder, orgulho, ódio e é exercido, às vezes, de maneira sutil que o dominadose julga extremamente amado. Até mesmo protegido.”

(Obsessão/Desobsessão, cap.V)

 

De desencarnado para desencarnado

¨Existem, no plano espiritual, obsessores entre os Espíritos pelos mesmos motivos que ocorrem na Terra.

 

De desencarnado para encarnado

¨Esta modalidade é a mais comum ou mais conhecida por ser a que com frequência leva as pessoas aos Centros Espíritas em busca de ajuda e socorro espiritual.

¨O obsessor age impulsionado pelo desejo de vingança, revide, ajuste de contas do passado e na maioria dos casos tem vínculos com a vítima.

¨Nesta atuação maléfica de um Espírito sobre um encarnado, o obsessor tem, a seu favor, o fato de não ser visível e nem sempre é percebido ou pressentido pela sua vítima, que imprevidente e desconhecendo a possibilidade de sintonia entre os dois planos, deixa-se sugestionar e dominar pelo perseguidor, que encontra em seu passado as “tomadas” mentais que facultarão esta conexão.

De encarnado para desencarnado

¨“Expressões de amor egoísta e possessivo, por parte dos que ainda estão na carne, redundam em fixação mental naqueles que desencarnaram, retendo-os às reminiscências da vida terrestre, Essas emissões mentais constantes, de dor, revolta, remorso e desequilíbrio terminam por imantar o recem-desencarnado aos que ficaram na Terra, não lhe permitindo alcançar o equilíbrio de que carece para enfrentar a nova situação.”

(Obsessão/Desobsessão, cap. V)

¨Pode ocorrer também, por ódio, revolta e inconformação ante as decisões do desencarnado com relação à partilha de bens ou atitudes ou atividades que desenvolvia quando encarnado.

OBSESSÃO RECÍPROCA

¨Segundo Suely C. Schubert no livro já citado, relata que a obsessão pode assumir, também, a característica da reciprocidade.   Ela esclarece:

“Essa característica de reciprocidade transforma-se em verdadeira simbiose, quando dois seres passam a viver em regime de comunhão de pensamentos e vibrações. Isto ocorre até mesmo entre os encarnados que se unem através do amor desequilibrado, mantendo um relacionamento enervante.”

                               (Obsessão/Desobsessão, cap. V)

¨

AUTO-OBSESSÃO

¨Allan Kardec assevera que não raras vezes,

“O homem é o obsessor de si mesmo.”

   “Alguns dos estados doentios e certas aberrações que se lançam à conta de uma causa oculta, derivam do Espírito do próprio indivíduo.”

(Obras Póstumas, it. 58)

¨Estas pessoas são doentes da alma e cultivam estados íntimos de autopunição a expressarem-se em quadros neuróticos ou de “doenças fantasmas”, tormentos e culpas advindos de outras reencarnações. São obsessores de si mesmos, vivendo um passado do qual não conseguem fugir.

¨

OBSESSÃO E MEDIUNIDADE

¨No item 243, de O Livro dos Médiuns, Kardec enumera nove características pelas quais se pode reconhecer a obsessão no médium, são elas:

¨“1 a) Persistência de um Espírito em se comunicar bom ou mau grado, pela escrita, pela audição, pela tiptologia, etc, opondo-se a que outros Espíritos o façam;

¨2 a) Ilusão que, heo obstante a inteligência do médium, o impede de reconhecer a falsidade e o ridículo das comunicações que recebe;

¨3a) Crença na infalibilidade e na identidade absoluta dos Espíritos que se comunicam e que, sob nomes respeitáveis e venerados, dizem coisas falsas ou absurdas;

4a) Confiança do médium nos elogios que líte dispensam os Espíritos que por ele se comunicam;

5a)   Disposição para   se   afastar das pessoas   que podem   emitir   opiniões aproveitáveis;

6ª) Tomar a mal a crítica das comunicações que recebe;

7ª) Necessidade incessante e inoportuna de escrever;

8ª) Constrangimento físico qualquer, dominando-lhe a vontade e forçando-o a agir ou falar a seu mau grado;

9ª) Rumores e desordens persistentes ao redor do médium/ sendo ele de tudo a causa, ou o objeto.”

¨“Não é a faculdade mediúnica que provoca a obsessão?”, indaga Allan Kardec. E ele mesmo tece comentários sobre esta questão:

   “Não foram os médiuns, nem os espíritas que criaram os Espíritos; ao contrário, foram os Espíritos que fizeram haja espíritas e médiuns. Não sendo os Espíritos mais do que as almas dos homens, é claro que há Espíritos desde quando há homens; por conseguinte, desde todos os tempos eles exerceram influência salutar ou perniciosa sobre a Humanidade. A faculdade mediúnica não lhes é mais que um meio de se manifestarem “.

(O Livro dos Médiuns, item 244)

 

Conclusão

¨“Seja, porém, qual for o processo através de cujo mecanismo se apresente, a obsessão resulta da identificação moral de litigantes que se encontram na mesma faixa vibratória, necessitados de reeducação, amor e elevação.

¨ A mediuniãade constitui abençoado meio para evitar, corrigir e sanar os processos obsessivos, quando exercida religiosamente, isto é, com unção, com espírito de caridade voltada para a edificação do “Reino de Deus” nas mentes e nos corações.

 

¨Nenhum médium, todavia, ou melhor dizendo, pessoa alguma está indene a padecer de agressões obsessivas, cabendo a todos a manutenção dos hábitos salutares, da vigilância moral e da oração mediante as ações enobrecidas, graças aos quais se adquirem resistências e defesas para o enfrentaniento com as mentes doentias e perversas que pululam na erraticidade inferior e se opõem ao progresso do homem, portanto, da humanidade.

¨(…) A obsessão, no exercício da mediunidade, é alerta que não pode ser desconhecido, constituindo chamamento à responsabilidade e ao dever”.

 

¨Bibliografia

  1. KARDEQ Allan – O Livro dos Médiuns – FEB.
  2. KARDEQ Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo – FEB.
  3. KARDEQ Allan – Obras Póstumas – FEB.
  4. FRANCO, Divaldo P./Manoel Philomeno de Miranda – Nas Fronteiras da Loucura – LEAL.
  5. FRANCO, Divaldo P./Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão.
  6. FRANCO, Divaldo P./Manoel Philomeno de Miranda – Sementes de Vida Eterna.
  7. SCHUBERT, Suely C. – Obsessão/Desobsessão – FEB.
  8. XAVIER, Francisco C./André Luiz – Nos Domínios da Mediunidade – FEB.
  9. XAVIER, Francisco C./André Luiz – Libertação – FEB.
  10. DIAS, Haroldo D. / O Novo Testamento – FEB.

¨

O HOMEM NO MUNDO

 

Todos somos espíritos imortais, temporariamente encarnados.

À luz da ciência Espírita, somos espíritos imortais, temporariamente estamos habitando uma veste carnal (encarnados no corpo físico).

Temos portanto um corpo físico por empréstimo divino, e não o inverso.

Acreditamos na imortalidade do espírito portanto nós não morremos.

O espiritismo veio comprovar de maneira indubitável a continuidade da vida do espírito ora encarnado, no mundo espiritual, quando este se despe da veste física.

Portanto o espiritismo veio “Matar a Morte”. Nós não morremos, o nosso corpo se desfalece mas nós não.

Este tema foi psicografado.

Psicografia recebida de UM ESPÍRITO PROTETOR, na cidade francesa de Bordeaux, 1863, e transcrita para nós pelo Codificador de nossa querida doutrina, Allan Kardec.

A historia humana, segundo os paleontólogos, estudiosos dos resíduos fósseis, remonta a aproximadamente 2 milhões de anos atrás.

Segundo portanto estes cientistas e após comprovações feitas através de datação por carbono, o ser humano, ou hominídeos como são chamados surgiram neste orbe a aproximadamente 2 milhões de anos.

Já o homo sapiens – a nossa espécie surgiu a aproximadamente 200 mil anos atrás.

Com isto entendemos que, a historia humana neste planeta já é longa, e que ela não se resume aos poucos séculos que nossos historiadores conseguem descrever em detalhes.

É necessário que entendamos que no princípio o mundo influenciou muito mais o homem do que o inverso. Naquela época pré-histórica os seres estavam expostos aos intempéries da natureza e eram pequenos grupos. Imaginemos os temores destes primeiros hominídeos diante da selva que os envolvia.

Os temores destes quanto os animais selvagens, e da noite que sempre trazia pavor.

Alguns grupos deixaram inscrições que falavam do céu noturno e dos sonhos.

Certos povos que viveram próximos á baia de Hudson no Canadá, denominados hoje de Inuítes, acreditavam que sua alma iria para outro mundo enquanto sonhavam.

Portanto no principio os homens adotaram como “forças sobrenaturais” tudo que não conseguiam compreender, como o porque do Sol, da lua, das estrelas, dos próprios animais e plantas e as pedras.

Mas o homem evoluiu ao longo da história e passou a desempenhar um importante papel diante do mundo, desta forma influenciando muito mais do que sendo influenciado.

Hoje em dia temos o homem influenciando fortemente o mundo de inúmeras maneiras. Através por exemplo da Economia, da Política, da diversidade dos povos e das crenças diversas.

Com esta introdução podemos então adentrar mais profundamente ao estudo do nosso tema que é praticamente 1 pagina de O Evangelho Segundo o Espiritismo, mas que é de uma profundidade enorme.

Para uma melhor didática, o tema foi subdividido em 6 partes.

1 – Pois bem, nos fala o Espírito Protetor:

Um sentimento de piedade deve sempre animar o coração daqueles que se reúnem sob o olhar do Senhor, implorando a assistência dos Bons Espíritos. Purificai, portanto, os vossos corações.Não deixeis que pensamentos fúteis ou mundanos os perturbem. Elevai o  vosso espírito para aqueles a quem chamais, a fim de que eles possam, encontrando em vós as necessárias disposições favoráveis, possam lançar em profusão as sementes que devem germinar os vossos corações, para neles produzir os frutos da caridade e da justiça.”

Elevai os vossos corações, o vosso espírito, que em vossa mente não seja povoada por pensamentos mundanos, profanos, fúteis.

Quantas vezes nos temos estes pensamentos ? Talvez possa ser até na maior parte do nosso dia, não é mesmo ?

Pois os pensamentos fúteis, mundanos, as notícias de caráter menos nobre elas circulam sempre em maior quantidade do que as noticias boas.

Desta maneira, torna-se um desafio para nós manter o pensamento elevado.

Mas este é o desafio, educar os nossos instintos, é sair do “homem velho”. O que é o homem novo senão a elevação a renovação dos nossos sentimentos.

Do que adianta nos orarmos, virmos á Casa Espírita, se nos aqui estamos pensando no mundo lá fora. Se ficamos nos preocupando apenas com o que ainda está por ser feito amanhã.

Elevar os vossos corações… Por quantas vezes pedimos, meu anjo de guarda, por favor me ajude….mas nós não nos ajudamos, por mantermos um pensamento, uma posição mental deletéria ou seja extremamente nociva e prejudicial.

Como é que nossos amigos bem feitores irão nos ajudar, se nós mesmos não nos ajudamos ?

Desafio: Educar instintos, impulsos e ações mundanas fúteis.

Evitar os excessos em geral: alimentação, sono, ócio, trabalho.

Evitar exteriorizar tensões e anseios através de instintos grotescos: vícios.

Procurar viver integralmente o presente, elevar os nossos corações, estar completo, estar por inteiro onde nós estivermos. Vivenciar o presente na sua integralidade. Dominar os instintos substituindo tensões por sentimentos elevados.

É claro para nós que instintos nós ainda os temos. São bagagens trazidas de nossas existências pretéritas.

Porem temos que nos trabalhar firmemente para substituí-los por sentimentos nobres e elevados.

2 – Na segunda parte continua nosso Espírito Protetor:

“Não penseis, porém, que queiramos […] vos levar a viver uma vida mística, isolado do mundo, que vos mantenha fora das leis da sociedade em que estais condenados a viver. Não. Vivei com os homens do vosso tempo, da vossa época, como devem viver os homens; sacrificai-vos às necessidades, e até mesmo às futilidades de cada dia, mas fazei-o com um sentimento de pureza que as possa santificar.”

NO Livro dos Espíritos – Parte Terceira– Das leis morais

CAPÍTULO VII

DA LEI DE SOCIEDADE

 

  1. Necessidade da vida social

 

Questão: 766. A vida social está na Natureza?

“Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação social.”

Nos temos os 5 sentidos para serem utilizados…

Tudo tem uma razão de ser na obra divina, e deve ser bem utilizado.

Questão: 767. É contrário à lei da Natureza o insulamento absoluto?

“Sem dúvida, pois que por instinto os homens buscam a sociedade e todos devem concorrer para o progresso, auxiliando-se mutuamente.”

 

Nós temos pois um objetivo enquanto homens no mundo, enquanto seres humanos encarnados.

É concorrer para o progresso.

E aí pensamos, mas este mundo é tão grande tenho 7 bilhões de irmãos e irmãs que eu preciso ajudar ?

Mas devemos nos ater principalmente ao “nosso mundo” que é a principio o meio familiar, nossos vizinhos, nossos parentes, colegas de escola, colegas de trabalho, nossa cidade. É neste meio social que nós devemos concorrer para o progresso.

Temos as vezes aquele vizinho ou aquele colega que perde a paciência e aí é que entra o nosso auxilio. Seja ficando em silencio, seja fazendo uma prece, seja auxiliando mais diretamente este nosso irmão.

Pois no âmago todos nos somos irmãs em humanidade.

Nos aqui podemos atuar em papeis como pais, mães, filhos, avós, tios, chefes, subordinados, mas na essência todos nós somos irmãos.

Na 3ª parte continua o Espírito Protetor:

“Fostes chamados ao contato de espíritos de naturezas diversas, de características opostas: não magoeis a nenhum daqueles com quem vos encontrardes. Estai sempre alegres e contentes, joviais e ditosos, mas com a alegria de uma boa consciência e a ventura do herdeiro do céu, que conta os dias que o aproximam de sua herança.”

Aqui o Espírito Protetor nos lembra que no mundo vamos conviver com os mais diversos indivíduos. E que estes na maioria das vezes serão diferentes de nós, pensando diferente, com crenças e ideologias diferentes, posicionamentos e comportamentos distintos dos nossos. Ou seja, em maioria, totalmente diferente de nós.

Aí imaginamos….Mas seria melhor se Deus colocasse junto de mim pessoais iguais, que pensassem como eu penso…..

Mas se todos pensássemos igual não haveria espaço para o progresso, pois o crescimento vem da diversidade. E é justamente na diversidade que vamos encontrar a dificuldade. Vamos enxergar a possibilidade de crescermos mais um pouco e entendermos aquele nosso irmão, que não foi educado como eu fui. Preciso pois entende-lo e respeita-lo.

Sede joviais…sede ditosos…mas que sua jovialidade provenha de uma consciência limpa.

O Espírito Francisco de Paula Victor, na obra “Quem é o Cristo?” Cap. 29 – Psicografia de Raul Teixeira diz: “Em chegando ao mundo terrestre, todo Espírito, desde os mais simplórios até os mais aquinhoados de valores gerais, estará a braços, com as condições do planeta.”

Exemplificando:

Socrates, não teve que sorver o veneno mortal ?

Gandhi, pregador da não violência, não foi assassinado ?

E continua Francisco de Paula… “Os que sonham com uma vida sem problemas, mesmo estando na terra, com certeza se julgam injustiçados por Deus, por tê-los internado nesta e não noutra paragem cósmica.

   Ref.“Quem é o Cristo?” Cap. 29 – Psicografia de Raul Teixeira.

     Precisamos compreender que o crescimento, o nosso papel de cristãos e Espíritas e enquanto seres humanos é sim uma diferença. É entender aquele meu semelhante muitas vezes difícil. É aí que eu vou crescer.

Neste ínterim, analisando o primeiro parágrafo refletimos…. Quantas vezes ao adentrarmos a um colégio, uma academia, a uma doutrina, e por este motivo adotar um posicionamento, uma atitude sombria. Jesus quer que nós sejamos alegres, felizes. Não deve ter nenhuma relação negativa o meu crescimento intelectual e moral por exemplo, com minha postura com relação ao meu semelhante. Por que agora sou Espírita não possa dizer, irmão, que bom que você veio. Que bom que está aqui, vamos dialogar.

Joanna de Angelis nos diz:

Alguém que cultiva a alegria de viver já possui um tesouro. Espalhe-o onde te encontras e oferta-o a quem te acerque, tornando mais belo o dia-a-dia de todos os seres com o sol de tua alegria.

     (Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco)

Muitas vezes algum irmão nosso está triste, depressivo, isolado, passando por determinada situação e a gente chega e dá um bom dia…sorri para ele. Este seu simples ato pode fazer a diferença.

Nós não sabemos quando vamos partir deste plano, temos que refletir, nós estamos aproveitando a nossa vida, deixando de lado as nossas boas marcas. Quais marcas deixarei para que os meus familiares se lembrem de mim? Não importa a idade…

Na figura visualizamos pessoas jovens e pessoas idosas, mais maduras, com alegria de viver.

Uma pessoa velha o que é ? É aquela que não vê o maravilhoso em viver. É aquela pessoa que se isola. E hoje nós temos muitos jovens velhos.

O envelhecimento é uma condição humana. Mas podemos aprender a ser felizes e a sorrir em qualquer fase da nossa vida. Este é o convite que a Joanna de Angelis nos faz. Exteriorizarmos a nossa alegria de viver. E não temos ideia de como isto pode ser importante para o nosso semelhante.

Na 5ª Parte continua o Espírito Protetor:

“A perfeição, como disse o Cristo, encontra-se inteiramente na prática da caridade sem limites, pois os deveres da caridade abrangem todas as posições sociais, desde a mais íntima até a mais elevada. O homem que vivesse isolado não teria como exercer a caridade. Somente no contato com os semelhantes, nas lutas mais penosas, ele encontra a ocasião de praticá-la. Aquele que se isola, portanto, priva-se voluntariamente do mais poderoso meio aperfeiçoamento: só tendo de pensar em si, sua vida é a de um egoísta. “

Nosso papel é muito relevante neste mundo.

Pensamos então naquelas pessoas eremitas, aqueles monges isolados que estão nas montanhas do Tibet….e esquecemos de que nós diariamente nos isolamos de nossos semelhantes. Em casa, eu converso com os meus familiares ? Muitas vezes nos nos isolamos nos meios eletrônicos. E aí observamos familiares que conversam mais através dos meios eletrônicos do que pessoalmente. Isto não seria um isolamento ? O isolamento está em nós….não é necessário subir numa montanha ou fechar-se num claustro. O que estamos fazendo para mudar isto ? Como poderemos praticar a caridade absoluta se nós estivermos isolados ?

O Cristo estava somente com os seus apóstolos, ou com os doutores da lei ? Não, ele estava sempre no meio da multidão passando sua mensagem de amor para a humanidade.

Neste ambiente em que vivemos, com pessoas as vezes de má fé. E é neste ambiente em que devemos atuar, para dar a nossa contribuição, mesmo que seja pequenina, uma parcela mínima, mas que uma palavra que nos digamos ou uma ação que nos tenhamos possa modificar a forma de pensar do nosso semelhante. Independente da posição social. Pois que uma pessoa pode ter muitas posses materiais mas estar necessitando de forma extrema de uma palavra de consolo.

O Homem no mundo.

   “Vós porem que vos retirais do mundo, para lhe evitar as seduções e viver no insulamento, que utilidade tendes na terra.”

   (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 5 – Bem aventurados os aflitos – item 26. Kardec A.)

A 6ª parte:

   “Não imagineis, portanto, que para viver em constante comunicação conosco, para viver sob o olhar do Senhor, seja preciso entregar-se ao cilício (ao martírio) e cobrir-se de cinzas. Não, não, ainda uma vez: não! Sede felizes no quadro das necessidades humanas, mas que na vossa felicidade não entre jamais um pensamento ou um ato que possa ofender a Deus, ou fazer que se envergonhe a face dos que vos amam e vos dirigem.”

Esta é a essência do Capitulo XVII do Evangelho Segundo o Espiritismo. “Sede Perfeitos”

É uma META para todos nós.

Quando gradualmente chegamos ao final do dia e fazemos nossa autoanalise… E pensamos por exemplo….Hoje eu não ofendi a ninguém. Ou então hoje eu perdi a paciência…Hoje eu deixei de sorrir….ou de dar um bom dia….assim começa a auto analise que leva a uma melhoria continua do ser.

A influencia do meio sobre o médium – 3ª Parte

A terceira pergunta encontrada no Capítulo XXI de O Livro dos Médiuns é a seguinte:

3. Os Espíritos superiores tentam levar as reuniões fúteis a intenções mais sérias?
— Os Espíritos superiores não comparecem às reuniões em que a sua presença é inútil. Aos meios de pouca instrução, mas onde há sinceridade, vamos de boa vontade, mesmo que só encontremos instrumentos deficientes. Mas aos meios instruídos, em que a ironia impera, não vamos. Neles é necessário tocar os olhos e os ouvidos, e esse é o papel dos Espíritos batedores e zombeteiros. É bom que os que se vangloriam de sua sabedoria sejam humilhados pelos Espíritos menos sábios e menos adiantados.
Partindo desse princípio, imaginemos uma reunião de homens levianos, inconsequentes, interessados apenas em seus prazeres.
Quais seriam os Espíritos que de preferência estariam entre eles?
Certamente não seriam os Espíritos Superiores, porque sábios e filósofos não iriam passar entre eles o seu tempo. Assim, toda vez que os homens se reúnem, há entre eles uma reunião oculta de simpatizantes de suas qualidades e imperfeições, e isso sem qualquer ideia de evocação.
Portanto admitindo que os encarnados queiram se comunicar com os Espíritos através de um intermediário, ou seja, de um médium, que Espíritos responderão ao seu apelo?
Evidentemente os espíritos que já estão lá, na reunião, predispostos a comunicar-se e aguardando uma ocasião favorável.
Se numa reunião fútil se evocar um Espírito superior, ele poderá atender, dando uma comunicação orientadora, como a um bom pastor que se dirige às suas ovelhas desgarradas. Mas se não se vê compreendido nem ouvido, vai-se embora, como também o farias em seu lugar, e os outros têm o campo livre.

A quarta pergunta encontrada no Capítulo XXI de O Livro dos Médiuns é a seguinte:
4. É proibido aos Espíritos inferiores comparecerem às reuniões sérias?
— Não. Às vezes permanecem nelas, a fim de aproveitarem os ensinamentos que vos são dados. Mas se calam, como se calam naturalmente os levianos e insensatos numa reunião de sábios.
A seriedade das pessoas que compõem uma reunião, entretanto, não é sempre suficiente para favorecer comunicações elevadas.

Reflexão:
Há pessoas que nunca riem, mas nem por isso tem a pureza de coração.
Ora, o que atrai os Espíritos são os nossos sentimentos, nossas vibrações. Nenhuma condição moral impede as comunicações.
Se queremos permanecer em companhia dos bons Espíritos, é necessário que sejamos bons, do que se conclui como é real a influência do meio sobre a natureza das manifestações inteligentes.

Mas isto não se exerce como pretendiam algumas pessoas, quando ainda não se conhecia como hoje o mundo dos Espíritos, e antes que as experiências mais decisivas tivessem esclarecido as dúvidas.
Quando as comunicações concordam com a maneira de ver dos assistentes, não é que as suas opiniões se tenham refletido no Espírito do médium como num espelho, mas que os Espíritos simpáticos a estes, para o bem ou para o mal, participam e partilham das mesmas ideias.

A comprovação definitiva é que, se o grupo puder atrair outros Espíritos, para se comunicarem em lugar dos que habitualmente os cercam, o mesmo médium falará umas linguagens muito diferentes, dando comunicações bastante diversas das suas ideias e convicções.

Conclui Kardec:
As condições do meio, visando a reunião mediúnica serão tanto melhores, quanto maior homogeneidade houver entre os participantes para o bem, com mais sentimentos puros e elevados, mais desejo sincero de aprender, sem segundas intenções.
No item 331, afirma o Codificador: “Uma reunião é um ser coletivo, cujas qualidades e propriedades são a resultante das de seus membros e formam como que feixe. Ora, este feixe tanto mais força terá quanto mais homogêneo for”.

A influencia do meio sobre o médium – 2ª Parte

Esclarece Kardec que seria errado pensar que é necessário ser médium para atrair os Espíritos. Eles povoam o espaço, estão constantemente ao nosso redor, nos acompanham, nos veem e observam, intrometem-se em nossas reuniões, procuram-nos ou evitam-nos, conforme os atraímos ou repelimos com os nossos sentimentos e pensamentos.

A faculdade mediúnica nada tem a ver com esta atração ou repulsão entre espíritos.
Ela é simplesmente um meio de comunicação através da sintonia perfeita, como nos aparelhos eletrônicos.
As nossas relações com outros espíritos baseiam-se na afinidade, sintonia e de acordo com nosso grau de moralidade.

A segunda pergunta encontrada no Capítulo XXI de O Livro dos Médiuns é a seguinte:

2. Os Espíritos superiores não podem então vencer a má vontade do Espírito encarnado que lhes serve de intérprete e dos que o cercam?
— Sim, quando o julgam útil, e segundo a intenção da pessoa que os consulta. Já o dissemos: os Espíritos mais elevados podem às vezes comunicar-se, para um auxílio especial, malgrado a imperfeição do médium e do meio, mas então estes lhe permanecem completamente alheios.

Considerando ainda o estado moral da Terra, podemos deduzir qual o gênero de Espíritos que deve predominar entre nós.
Se estudarmos  cada povo em particular, poderemos julgar, pelo caráter dominante das criaturas, por suas preocupações e seus sentimentos mais ou menos morais e humanitários, quais as ordens de Espíritos com as quais maior afinidade terão.

A influencia do meio sobre o médium – 1ª Parte

No Capítulo 21 de “O Livro dos Médiuns” na questão 231.1 Allan Kardec faz a seguinte indagação aos Espíritos da Codificação:

  1. 1. O meio em que o médium se encontra exerce alguma influência sobre as manifestações?

— Todos os Espíritos que cercam o médium o ajudam para o bem ou para o mal.

Esta resposta nos faz refletir sobre a presença dos Espíritos (desencarnados e encarnados) que estão ao nosso redor não depende da mediunidade nem de qualquer chamamento ou  evocação.

Hoje as ondas eletromagnéticas são utilizadas em larga escala, ligações telefônicas celulares, rádios AM e FM, transmissões de TV analógica e digital, Internet a rádio, estão sempre a nos envolver, mesmo que não as percebamos. Para percebe-las teríamos que ter o aparelho receptor adequado, através do qual podemos sintoniza-las.

A mente humana está ininterruptamente pensando,  atraindo e sendo atraída por outras mentes que estão em sintonia com o nosso pensar do momento. Isto nos permite caracterizar diversos estados de percepção, que se assemelham por muitas das vezes aos  aos estados ligados às manifestações espíritas.

Estamos sempre rodeados pelos nossos afins ! Vibrando continuamente.

(continua…)

 

O ESPÍRITO DE VERDADE

Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos céus, como um imenso exército que se movimenta, ao receber a ordem de comando, espalham-se sobre toda a face da Terra. Semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar o caminho e abri os olhos aos cegos.

Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas devem ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos.

As grandes vozes do céu ressoam como o toque da trombeta, e os coros dos anjos se reúnem. Homens, nós vos convidamos ao divino concerto: que vossas mãos tomem a lira, que vossas vozes se unam, e, num hino sagrado, se estendam e vibrem, de um extremo do Universo ao outro.

Homens, irmãos amados, estamos juntos de vós. Ama-vos também uns aos outros, e dizei, do fundo de vosso coração, fazendo a vontade do Pai que está no Céu: “Senhor! Senhor!” e podereis entrar no Reino dos Céus.    (Prefácio de O Evangelho Segundo o Espiritismo).